Acompanhar a movimentação das ruas é um hábito que cultivo desde muito cedo. Agora que o tempo já é tão longo que os anos não fazem mais diferença, passo as tardes a desfrutar do convívio com os anônimos.
Talvez esse não seja um hábito muito produtivo, mas me contento em permanecer sentado em um banco de praça, a observar o caminhar das pessoas. Descobre-se peculiaridades da raça humana e ri-se muito também.
Vejo a frente um rapaz novo, sua idade deve girar em torno dos 19, 20 anos. Anda tranquilamente, com o olhar perdido. Esboça um sorriso tímido e carrega consigo várias pastas e livros debaixo do braço. Logo ele se vai e o perco de vista em meio à multidão.
Tenho recordações de mim mesmo quando tinha essa idade ao ver esse garoto. Uma expressão sonhadora de quem ainda acredita nas coisas. A juventude não está tão perdida afinal.
Mais adiante avisto uma senhora que anda com passos pequenos e pausados. Carrega uma expressão preocupada, em um sofrimento silencioso e solitário. Que decepções e mágoas essa mulher deve carregar? Pelo que vejo, ainda há vida pela frente e palavras doces a espalhar.
Um homem toma a frente da tímida senhora e não a vejo mais. Este, por sua vez, vem rápido, com seu paletó e gravata a padronizá-lo. Com passos precisos e velozes, ele caminha cortando todos a sua frente. Seu olhar não se detém em nada. É a pressa do mundo globalizado que rouba a vida de todos.
De repente, uma cena me chama a atenção. Um menino caminha saltitante segurando na mão de uma mulher que suponho ser sua mãe. Ele anda despreocupado quando sua vista se depara com um vendedor de algodão-doce.
No mesmo instante, sua atenção se volta toda para isso e os pedidos a mãe para que compre o bendito doce não cessam. A mulher, no entanto, não cede, e continua seu caminhar sem titubear.
O choro então irrompe e a mulher olha em volta constrangida, mas firme na sua decisão. Os pedidos e as lamentações se tornam mais insistentes e, num rompante, a mãe volta na direção do vendedor e traz consigo o elemento apaziguador.
A ação do garoto não é outra senão sorrir, mesmo em meio às lágrimas. Um sorriso puro da mais sincera alegria. Algo tão mágico que a mãe até então contrariada sorri também e afaga a cabeça do menino. Após isso, me levanto e sigo o caminho de casa. Afinal, tudo que precisava ver estava ali.
2 respostas Até agora ↓
javier // Agosto 13, 2008 às 8:35 pm
adorei o texto muito simples e intenso,bonita a descriçao daquelas cenas em especial a da mae,porem essa situaçao tambem e manipulaçao e mimo, pois continuara a acontecer e no futuro sera dificil pra criança-adulto lidar com a frustraçao.
violetasensual // Agosto 13, 2008 às 9:48 pm
genteee…sab q eu nunk tinha parado pa pensar nesse lado mimado do guri…q horro neh? realmente…….ele ta sendo criado da forma como pratikmente todas as crianças saum educadas hj….com todos os seus gostos atendidos….cheio d xurumelas… profeeee psicologo oh! uhuuuuuuuuuuu
mto fiiiiiiiiliz por gostar do texto da pessoa aki! gracias!