Violeta Ácida

Bamako e Rê Bordosa

Julho 22, 2008 · 3 Comentários

Música e performances visuais ao vivo...

 

      O Seminário de Cinema (forma mais abreviada e prática para se referir ao nome Seminário Internacional de Cinema e AudioVisual  ) [de 21 a 26 / 07]  começou ontem (21) com pé direito. Um dos filmes a disposição, “Bamako”, é diferente do que estamos acostumados a assistir. Os blokbusters (é assim mesmo que se escreve?) americanos, não fazem mais tanto sentido. O filme é uma co-produção Mali/França, dirigido por (nome dificil): Abderrahmane Sissako.
      A história se desenrola em torno de um julgamento. Cidadãos de alguns países africanos querem julgar as instituiçãoes financeiras internacionais. As arguições por parte do povo africano são veementes e muitas vezes torna-se dificil nao concordar com suas posições, diante da forma pela qual eles as defendem. Revisitamos realidades que já conhecemos – de sofrimento e privações – e a reflexão acerca disso é inevitável. 
      (Breve Reflexão): Vê-se uma realidade fruto de várias décadas de exploração. Os países que os subjugaram de tal forma possuem uma divida dificil de ser debitada. Como ressuscitar um lugar tão vasto e tão massacrado? O filme nao aponta soluções práticas, mas nos faz pensar na premencia de ações a favor da vida.

      Entre os momentos de debates e argumentações temos vislumbres da vida de alguns personagens: simples e que nos mostram nuances da cultura local. O espetáculo de se estar diante de uma cultura diferente e tão rica é engrandecedor. Pedaços de nós mesmos em sua origem. A música que uma das personagens canta, Chaka, no incio e final do filme, parece dizer muito da dor e esperança ao mesmo tempo, mesmo que nao possamos compreender sequer uma palavra do que ela diz (no dialeto local).

       Em contraste total à seriedade para qual Bamako nos transporta, há antes da exibição desse filme, a reprodução de um curta “Dossiê Rê Bordosa”. Feito em stop motion (aquelas animações de massinha) é totalmente hilário! Uma frase dita por Rê sobre ela mesmo é para ficar marcada para sempre na memória: “Eu sou uma barata que resistiu aos inseticidas” (kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk). Essa fala dita o teor do restante da animação. Em humildes 15 minutos, nos transportamos para o mundo de uma das mais descaradas personagens dos quadrinhos. Produções que merecem ser incentivadas e que enriquecem o nosso nivel de bom humor! 

       Outras produções rechearam o dia da abertura do Seminário, como os filmes de Joaquim Pedro de Andrade na Mostra Retrospectiva. As mesas de diálogos começaram ontem e vão até quarta. Há inclusive performances de DJs e exbições de clipes em todos os dias. Um ambiente cercado de atrações e entretenimento.

PS: Próximos dias, próximas impressões e observações.

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